terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Se Aprochegue, 2014!

 Como é costumeiro, os eventos de fim de ano têm que ser inusitadamente cômicos. Comigo não é diferente (ou só acontece comigo...não sei rs). 2013 foi um ano marcante e sangrado, daqueles que a gente passa se arrastando. Também foi ano de muitas aprendizagens, vivências e limpeza nas lentes que utilizo para enxergar o que julgo ser o Uno no verso. Todo ano é repleto de ciclos e representa também o encerramento dos mesmos. Os meus se encerraram da forma mais cômica possível. Contando sem revelar, passei a virada do ano num prédio perto da praia de Boa Viagem. A certeza de que nada do que vi representava La Belle De Jour foi revigorante. 

 Quando falo em encerramento de ciclos, é mais ou menos isso:



 No mais, meu livro de Leminski me espera.

P.S.: Lembro de 2013 como se fosse ontem...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Com Passos de Formiga e Sem Vontade



Surpreso com essa peripécia do Lulu Santos, fiz um pequeno texto comentando:

"Não mais está tudo azul. Da minha janela indiscreta, vejo que os tempos modernos não fazem tão bem a certas coisas. O desleixo com o português, como uma onda, atinge até o último romântico. A cura, esta sereia deusa da ilusão, não encontra condição de satisfação para aquilo que chamamos de mundo. Nos resta esperar o retorno do maia intergalático e de um certo alguém. Assim caminha a humanidade..."







sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Carta de Amor

 Recebi, ontem, uma encomenda especialíssima: O livro "Toda Poesia", de Leminski, e o DVD Carta de Amor, da incomparável Abelha Rainha Bethânia...dois Universos! 

 O livro de Leminski já virou meu livro de cabeceira e já assisti Bethânia 4 ou 5 vezes...daqui a pouco o DVD começará a apresentar defeitos.

 Uma música me atraiu bastante: Carta de Amor. Nela, Bethânia (que escondia a maioria das coisas que escreve...imaginem quantos outros clássicos podem estar escondidos no Oásis de Bethânia?!) expressa toda uma filosofia de vida, o jeito bethaniano de viver, o qual compartilho. 

Meus trechos prediletos:

"...pensou que eu ando só? Atente ao tempo!
Nem começa, nem termina, é nunca, é sempre..."


"...medo não me alcança.
No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo..."


"...Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão
E pra onde você for, não leva o meu nome não..."


"...se choro, quando choro, e minha lágrima cai
É para regar o capim que alimenta a vida
Chorando eu refaço as nascentes que você secou
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio
Vivo de cara para o vento na chuva, e quero me molhar 
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam o meu peito..."






P.S.: Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Admirável Gado Novo!

 Inserido na Matrix, como me vejo, não tenho como deixar de me posicionar em relação ao status quo. A própria neutralidade é uma ilusão, uma aceitação das coisas como elas são...
 
 Recentemente, descobri algumas estrelas no The Voice e destaco duas: Khrystal e Dom Paulinho Lima. Na apresentação da semana passada, eles foram eliminados. Mas não houve só uma eliminação, houve uma reafirmação do status quo na globalização.
  Sam, um jovem cantor que incorpora a americanização da música (tanto que na única vez em que cantou em português para mostrar que isso de americanizar era um mito não mostrou nada) e que representa os padrões estéticos da sociedade foi "salvo" no lugar dela. Sam tem talento, mas, pelo pouco que conheço de música, ele não combina com a palavra originalidade, o contrário de Khrystal que, mesmo representando uma volta às raízes, o faz de forma original, visceral e brilhante. 
 Dom Paulinho também foi injustiçado (e, após a escolha, Lulu Santos assumiu que queria tê-lo escolhido). Dessa vez, a Soul Music, o Blues, o Jazz, a Black Music dele foram preteridos pelo "heavy metal" de Luana, outra estrela do The Voice, mas, muito menos talentosa e original que ele. Vale ressaltar que ele cantou uma música clássica, mas, dificílima, que esconderia o seu talento. Diferente dele, Luana cantou um clássico que enaltece o cantor.

 Deixo aqui mais uma frustração: as músicas não são escolhidas pelos cantores! Colocando o direito da escolha nas mãos de alguns anônimos, há uma condução da competição. A injustiça começa aí.


Eu devia saber que essas estrelas já não mais existiam, que só restava a imagem delas, já tinham se apagado. O The Voice faz isso. Me guardo o direito de torcer por Lucy Alves e Pedro Lima (este último que apresenta, como Michael, um talento inegável, mas, uma submissão ao status quo).
 
Falta ARTE na música!

Vale deixar um hino da insatisfação com a política de massa:



Povo marcado e povo feliz...infelizmente!






sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Sorriso no Olho do Furacão

"Queria ter coragem de saber
O que me prende?
O que me paralisa?
Serão dois olhos

Negros como os teus
Que me farão cruzar a divisa..."

(Dois Olhos Negros/ Intérprete: Lenine)

 Olhos...olhos? Olhos! Não daqueles que só não passam despercebidos por questão de respeito, não! Dois lindos e petrificadores olhos dignos de uma Medusa, ou da tempestade Russa. Olhos, exímios estrategistas. Se mostram fugidios para depois nos pegar de surpresa. Uma vez, li algo que dizia que os olhos são a janela da alma...se assim é, que alma! Alma que transparece uma ingenuidade cativante com uma pitada de "decifra-me ou devoro-te". 

"Não fosse isso
e era menos
Não fosse tanto
e era quase"

(Leminski)

Não bastasse isso, os olhos vêm como guardas fiéis do sorriso que supera o do Gato de Cheshire e o de Mona Lisa. Um sorriso tão fugidio quanto os olhos, mas, ainda mais estrategista, que se entrega abertamente, mas que detém o pseudo-detentor. Armadilha das mais desejadas.

"Do you smile to tempt a lover, Mona Lisa?
Or is this your way to hide a broken heart?
Many dreams have been brought to your doorstep
They just lie there and they die there
Are you warm, are you real, Mona Lisa?
Or just a cold and lonely, lovely work of art?"
(Mona Lisa/ Intérprete: Nat King Cole)




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Navegar é Preciso...

 No dia 27 de Novembro, participei de um grande programa de índio (era norte e nordeste, mas era de índio), o CONNEPI, um evento com uma iniciativa excelente, mas sem um nível de organização páreo a essa iniciativa.

 Como qualquer aquariano sonhador, tive como tema da ida a Salvador (onde houve o evento) a música "Alegria, Alegria":

"Caminhando contra o vento sem lenço, sem documento,
No sol de quase Dezembro,
Eu vou."
(Caetano Veloso)


Mas...

Com uma viagem repleta dos acontecimentos mais pitorescos, me contentei em voltar cantarolando "Purificar o Subaé":

"Purificar o Subaé,
Mandar os Malditos embora..."
(Caetano Veloso)


 Para mim, tudo é válido. Uma viagem é feita por pessoas e pessoas são inconstantes. Agradeço à imprecisão da Vida. 

 Além de tudo, tive a oportunidade de assistir com um grande amigo, Daniel "Spock" Barreto, a um filme excelente em que Robin Williams (salve! salve!) aparece e do qual já falei no meu recanto que chamam de blog.

Deixo uma singela lembrança e homenagem ao Daniel do grandiosíssimo e inadjetivável Elton John:


P.S.: Daniel, suplante esse desejo de engrandecimento deveras truculento que surgiu com a homenagem...rs



sábado, 16 de novembro de 2013

Coffee, coffee, coffee


Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

 Observando a página inicial do meu Facebook, encontrei uma atualização de uma amiga com algo, no mínimo, desafiador: um filme com Jim Carrey e Kate Winslet de nome "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". Jim e Kate sempre estiveram entre os artistas que aprecio, mas, o que mais me cativou foi o nome muito poético do filme. Mais tarde, descobri que vem de uma frase de Alexander Pope, que é um dos maiores poetas da História.

"Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado"
(Alexander Pope)

 Me pergunto como posso definir esse furacão de sentimentos ainda disformes em minha mente. Os protagonistas são extremamente diferentes. Enquanto Joel é um "tímido espalhafatoso" (torre traçada por Gaudi) que segue o padrão de conduta da sociedade por medo de se perder da manada, Clementine externa todos os seus questionamentos existencialistas. 
 Não os vejo como complemento um do outro (porque não nascemos pela metade), mas, os vejo como indivíduos muito parecidos. Eles dois têm angústias similares, só que um as guarda dentro de si e a outra as externa à base de grito. Os conflitos existentes entre eles fazem com que Clementine busque apagá-lo da memória. Joel recebe isso da pior forma possível e também resolve apagá-la da sua memória. Durante o processo, ele começa a reconhecer que a vida é formada dessas incompletudes, que cada indivíduo apresenta características diferentes, restando a cada um não procurar o "eu" no outro. Já dizia Caetano em 
Sampa:

"...É que Narciso acha feio o que não é espelho..."


 Além de problematizar veementemente os relacionamentos contemporâneos, o filme demonstra ser um ensaio sobre a realidade. O esquecimento destrói fatos?  A memória define o que existe ou não? Até onde percebemos a realidade?

 Esse amálgama de pensamentos e sentimentos, que é a obra de Charlie Kaufman, é um bálsamo para qualquer sonhador que reconhece que razão e emoção se interpenetram transcendendo o próprio existir...





P.S.: Obrigado, Gabriele!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Como Chico e Patch me apresentaram Neruda

 Ouvindo um dos diamantes de Chico dois anos atrás, Trocando em Miúdos (que agora ouço para relembrar o momento), fiquei intrigado com a seguinte frase: "Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.".

"O que ou quem é Neruda?" Com uma certa vergonha por desconhecer o significado dessa parte da música de Chico (impossível conhecer o significado de todas as músicas de Chico, Caetano, Djavan, Gil), busquei silenciosamente no Google. Fiquei estupefato. 
A poesia de Neruda é ímpar, ele goza do néctar dos deuses-poetas.

Meses depois, assisti ao filme "Patch Adams - O Amor é Contagioso" (que de Patch Adams tem pouco...futuramente, falarei do verdadeiro Patch), que me fez transcender a mim mesmo e ver a vida de uma forma diferente. Nesse filme, Patch (interpretado por Robin Williams. Salve! Salve!) declama um poema para a sua amada:

A DANÇA - SONETO XVII

"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."


 As profundidade e sensibilidade do poema me fizeram procurá-lo no Google. Quando pesquisei, vi de quem é a autoria: Neruda, Pablo Neruda.

...

Um pouco de Patch:




Permita-se!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Baby, Can I Hold You?

 Como a maioria dos mortais brasileiros que vivem a Música, aprecio alguns momentos do "The Voice Brasil". No último programa, 14/11, uma apresentação me remeteu à minha infância, trazendo aquele gostinho dos sucessos dos anos dourados da música internacional. A música se chama "Baby, Can I Hold You?" e foi composta pela atemporal Tracy Chapman (que tem/tinha como companheira Alice Walker, outra sumidade, só que como escritora).

 Em momentos em que pseudo-cantores como Justin Bieber dominam as mentes da massa, me volto, todo saudosista e com um quê ritualístico, para o meu recanto, para as minhas canções-vinhos prediletas. "Your Song", do Elton John (salve! salve!), foi composta há cerca de 40 anos e, hoje mais do que nunca, emociona pessoas em todo o mundo (desconsiderando as outras galáxias, claro). 

O meu Ser clama pela degustação desses vinhos já conhecidos mas que ainda me são tão caros.

"And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world"

(Elton John/ Bernie Taupin)


Agora, vos entrego a belíssima Tracy Chapman cantando "Baby, Can I Hold You?" com Ele, Pavarotti:




...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Renascer

 Uma vez, Guilherme de Almeida disse que os ideais dele eram como barquinhos de papel. Hoje, mais do que nunca, o entendo e o sinto. Sempre busquei um entendimento profundo sobre o âmago do Ser Humano, e isso inclui uma busca pelo sistema político perfeito. Ainda não o encontrei, mas, defendo uma Democracia Plena baseada na emancipação de todos os cidadãos do Mundo (adotando uma visão cosmopolitana). Nos últimos momentos, vi que pilares que eu considerava relevantes se mostraram barquinhos de papel e  ameaça aos meus valores maiores. Como uma águia que precisa de um ofício sagrado para se renovar, apostei no poder de mutabilidade do Ser Humano e assumi uma nova postura frente às intempéries da Vida. O lapidar é o caminho...afinal, como diria Millôr, viver é desenhar sem borracha.



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Amor Violeta

Hoje, conheci uma das mais poéticas definições do Amor. Tenho o costume de vasculhar a biblioteca do local onde estudo (IFBA) em busca de preciosidades. Mesmo que não as encontre, o importante é a busca. Mas sempre as encontro. Quando li o nome Adélia Prado em uma das estantes, me pareceu familiar e cativante. A leitura do livro (Bagagem) não só confirmou a expectativa como me surpreendeu. Uma feliz surpresa. Como diria Scarlet Moon: inenarrável!

"O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge o meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida."

(Amor Violeta, do Livro "Bagagem" de Adélia Prado)





domingo, 10 de novembro de 2013

Álvaro...Fernando...Renato...

"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
Sou eu aqui em mim, sou eu. 

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. 
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente, 
Como de um sonho formado sobre realidades mistas, 
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico, 
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima. 

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua, 
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda, 
De haver melhor em mim do que eu. 

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa, 
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores, 
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho, 
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas, 
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida. 

Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica, 
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar, 
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo — 
A impressão de pão com manteiga e brinquedos 
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina, 
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela, 
Num ver chover com som lá fora 
E não as lágrimas mortas de custar a engolir. 

Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado, 
O emissário sem carta nem credenciais, 
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, 
A quem tinem as campainhas da cabeça 
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. 

Sou eu mesmo, a charada sincopada 
Que ninguém da roda decifra nos serões de província. 

Sou eu mesmo, que remédio! ... "

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


Sonho Impossível

 Chico Buarque e Bethânia representam uma das uniões musicais que mais se aproximam da perfeição. Ele com percepção e talento incomparáveis e ela com, como disse Vinicius de Moraes, a voz da sarjeta. O ápice desse casamento é a versão de Bethânia de "Sonho Impossível", um dos meus hinos.

"...É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão..."
(Canção: Sonho Impossível/ Intérprete: Maria Bethânia)


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tempo de Estio

Recentemente, conheci uma canção de Caetano chamada "tempo de estio". Que título poético! O tema foi desencadeando uma "brain storm" e cá estou eu.

"...O sol há de brilhar mais uma vez,
A luz há de chegar aos corações,
Do mal será queimada a semente,
O amor será eterno novamente..."
(Canção: Juízo Final/Intérprete: Clara Nunes)

 Tempo de estio me traz à memória "summertime", de George Gershwin.

"One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by"
(Canção: Summertime/Intérprete: Caetano Veloso)

"...eu quis cantar minha canção iluminada de sol...mas as pessoas da sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer..."
(Canção: Panis Et Circenses/ Intérpretes: Os Mutantes)


 Tempo de estio é tempo de reparação, de colar os corações com maresia e seguir cantando, de dançar com lobos, de recosturar as asas...afinal, quantos outros universos estão esperando para surgir e fenecer? Quantas outras estrelas passarão por super-novas, virando buracos negros, deglutindo até a luz? Incontáveis. A lei da vida é a lei do renascimento, e, na vida, somos todos Renatos e Renatas.
O mundo não é para ser tão levado a sério. Nascemos, crescemos, nos reproduzimos, morremos, mas, o objetivo da vida é outro. Tudo passa..."like a rolling stone"...

Somos todos poeira de estrela.





Carpe Diem!

domingo, 14 de julho de 2013

El Condor Pasa...

I'd rather be a forest than a street, diz um dos meus hinos, El condor pasa. Paul Simon, da dupla Simon & Garfunkel, honrou a sublime melodia peruana com a versão em inglês da música. Considero esta letra, que nos faz passar dias, meses refletindo sobre a liberdade, o ápice da carreira e desta vida de Paul Simon (que é mais famoso pela consagrada The sound of silence). A canção me lembra uma mensagem muito lúcida e feliz do Osho:






No fim de tudo, o que buscamos é o cerne da liberdade, o amor.



Existo. E Pronto.

Hoje, matei a saudade de alguns poemas de Leminski, um dos meus ídolos. No poema "Razão de ser", ele silencia os demônios internos e externos. Não precisamos de alguma razão para ser o que somos (o que somos?). Eu escrevo, leio, ouço e vivo música, penso, imagino e medito porque esta é a minha realidade (em um mundo de 7 bilhões de realidades humanas...afora as outras!), está no âmago do meu Ser, é o meu cerne.


Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?



Deixo uma imagem representando o que Leminski e eu acreditamos...


sábado, 6 de julho de 2013

O que é que tem no sótão?

Vasculhando a discografia de Zizi Possi (salve! salve!), encontrei uma faixa singular no álbum "mais simples" que tem como título "olho de peixe" (um nome, no mínimo, estranho para uma canção). Demorei algum tempo pensando se deveria me apegar ao que já conhecia de Zizi ou me arriscar a conhecer essa nova música que já se apresentava com um título bem milloriano. Destemido, comecei a escutá-la. Ouvi a primeira vez com o "repeat" acionado. O Media Player a repetiu umas 10 vezes e, ainda hoje, ela não me sai da mente. Ela tem trechos muito interessantes e sugestivos:


"...Se na cabeça do homem tem um porão, onde mora o instinto e a repressão, o que é que tem no sótão?"


"...Permanentemente preso ao presente, o homem na redoma do vidro. São raros instantes de alívio e deleite..."


"...Evidentemente a mente é como um baú, o homem decide o que nele guardar. Mas a razão prevalece, impõe seus limites, e ele se permite esquecer de lembrar..."


"...É como se passasse a vida inteira eternizando a miragem. É como o capuz negro que cega o falcão selvagem..."


Curioso, pesquisei no Google sobre o autor dessa raridade e descobri que o misterioso autor é, nada mais, nada menos que Lenine. O primeiro pensamento que surgiu foi: Como não pensei nisso?!

Deixo, abaixo, a música na versão de Zizi (porque o álbum dela me apresentou a música e é dela a melhor versão) para abrilhantar o blog e colocar uma interrogação nas mentes dos que a escutarem.




Afinal, o que é que tem no sótão?

sábado, 29 de junho de 2013

Millôr

Dentre todas as minhas descobertas, Millôr é uma das que mais agradeço. O olhar analítico de Millôr, o seu humor único e o seu estranhamento ao todo fazem dele, como ele mesmo falou, um escritor sem estilo. As obras de Millôr são únicas. Da mesma forma que dá para reconhecer uma música de Chico em qualquer lugar, reconheço os poemas, textos e desenhos de Millôr. E, por incrível que pareça, gosto de uma característica marcante de Millôr: a quebra de expectativa.

A formiga e o elefante (1972)

O Elefante está ali mesmo
A Formiga é transitiva
A Formiga é socialista
O Elefante – livre iniciativa
O Elefante vai em frente
A Formiga anda em S
A Formiga sabe tudo
O Elefante nunca esquece
O Elefante não tem casa
Ele é seu próprio abrigo
A Formiga se protege
No underground mais antigo
Mas, olha aqui, se você pensa,
Que vou concluir sabiamente
Esquece, velho, e lê outro:
Eu não sei qual é o mais quente.



PS: Meu amigo Luan, que é aficionado por lápis de cor, se deleitará com a coleção de lápis de Millôr.


A Formiga e o Elefante - 1972 (Vagamente inspirado na Cigarra e na Formiga) O Elefante está ali mesmo A Formiga é transitiva A Formiga é socialista O Elefante - livre iniciativa. O Elefante vai em frente A Formiga anda em S A Formiga sabe hospedagem de sites com dominio gratis tudo O Elefante nunca esquece. O Elefante não tem casa Ele é seu próprio abrigo A Formiga se protege No underground mais antigo. Mas, olha aqui, se você pensa, Que vou concluir sabiamente, Esquece, velho, e lê outro: Eu não sei qual é o mais quente.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A Sílaba Tônica Da Minha Palavra

"No meio do caminho...ops, na BR mania tinha uma pérola,
Tinha uma pérola na BR mania..."


E ela cá deixou um texto:

A Sílaba Tônica Da Minha Palavra 


Ninguém nasce pela metade. Com o perdão da sinceridade, nenhum ser humano tem uma parte do coração no corpo de outra pessoa. O que temos na verdade é insegurança. Somos verbos transitivos gritando por complemento de alma. As metáforas do amor enganam muito as pessoas... Precisamos encontrar alguém que nos transborde e não que nos diminua à condição de "metade". Não necessitamos de cara metade, e sim de mente aberta e coração inteiro. Está tudo errado! As pessoas são intransitivas assim como os verbos, elas podem ser mais frágeis, mas não podem se deixar levar por qualquer pronome possessivo para se sentir inteira


É maravilhoso sorrir e criar planos ao lado de alguém especial, mas se essa pessoa for embora, você não pode parar no meio da oração. Por que temos tanto medo de escrever histórias? Somos um sujeito constantemente a procura de predicado! Se a primeira crônica de nossas vidas foi escrita à lápis grafite e a borracha apagou, não era definitivo!  Porque nada é para sempre. Meu maior desejo e que não nos rendamos a meras orações subordinadas. Devemos ser vocabulários inteiros. Existem muitos dialetos difíceis de ligar, mas o dicionário da vida deve estar sempre dentro da gente. Enquanto vivermos estamos sujeitos a usarmos corretivos nos nossos corações até o momento que alguém nos transborde a condição de caneta á tinta!

(Allana Fraga)

Como Descobri Aznavour

Há cerca de um ano, numa das prazerosas e costumeiras conversas com o meu tio, Marconi, ele mencionou um nome que eu não conhecia: Charles Aznavour. Curioso de marca maior, não parei de investigar até conhecer a obra de Aznavour. Como todos os grandes (embora Aznavour seja uma figura de 1,60 m de altura, ele é um dos titãs da música), Aznavour me encantou com a abrangência e a genialidade de sua obra. Tendo cerca de 70 anos de carreira, ele compôs mais de 800 canções e fez duetos memoráveis com artistas como Elton John, Liza Minelli, Frank Sinatra, Edith Piaf, Paul Anka, Celine Dion, entre outros. Por esses e outros inumeráveis motivos, já sou fã de Azna"voice".

No dia 25 de Maio, assisti ao show de encerramento da turnê dele na América do Sul com o tio que me apresentou Aznavour. Foi um show memorável. Consegui até gravar Aznavour cantando "She", seu maior sucesso, e "Hier Encore", a canção de Aznavour que mais gosto.

Deixo, abaixo, Aznavour demonstrar o motivo da admiração que ele desperta nos milhões de fãs espalhados pelo mundo:




terça-feira, 25 de junho de 2013

Drummond...

Um grande amigo meu, Alex Muniz, me apresentou Drummond da melhor forma possível: me mostrou o poema "O Homem - As Viagens". Deixo, abaixo, o genial poema de Drummond (outro nome da minha Sociedade dos Poetas Mortos) e um vídeo do poema declamado.

O Homem - As Viagens


O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

(Carlos Drummond de Andrade)





Como Vejo O Mundo

Há tempos venho pensando em voltar a ter um blog. Penso que essa tarefa é essencial não só por "disseminar" cultura, mas também por reunir meus achados num só lugar. Como o título sugere, o blog mostrará um pouco da minha visão do mundo. "Como Vejo O Mundo" é o título no Brasil do livro revelador do grande Albert Einstein, um dos maiores nomes da história da humanidade. Como todo aficionado por essa busca incansável por um sentido no Universo, admiro muito o Einstein. Como ele, vejo poesia na Física.

Espero fazer jus ao nome do blog.