sábado, 16 de novembro de 2013

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

 Observando a página inicial do meu Facebook, encontrei uma atualização de uma amiga com algo, no mínimo, desafiador: um filme com Jim Carrey e Kate Winslet de nome "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças". Jim e Kate sempre estiveram entre os artistas que aprecio, mas, o que mais me cativou foi o nome muito poético do filme. Mais tarde, descobri que vem de uma frase de Alexander Pope, que é um dos maiores poetas da História.

"Quão feliz é o destino de um inocente sem culpa. O mundo em esquecimento pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada orador aceito e cada desejo renunciado"
(Alexander Pope)

 Me pergunto como posso definir esse furacão de sentimentos ainda disformes em minha mente. Os protagonistas são extremamente diferentes. Enquanto Joel é um "tímido espalhafatoso" (torre traçada por Gaudi) que segue o padrão de conduta da sociedade por medo de se perder da manada, Clementine externa todos os seus questionamentos existencialistas. 
 Não os vejo como complemento um do outro (porque não nascemos pela metade), mas, os vejo como indivíduos muito parecidos. Eles dois têm angústias similares, só que um as guarda dentro de si e a outra as externa à base de grito. Os conflitos existentes entre eles fazem com que Clementine busque apagá-lo da memória. Joel recebe isso da pior forma possível e também resolve apagá-la da sua memória. Durante o processo, ele começa a reconhecer que a vida é formada dessas incompletudes, que cada indivíduo apresenta características diferentes, restando a cada um não procurar o "eu" no outro. Já dizia Caetano em 
Sampa:

"...É que Narciso acha feio o que não é espelho..."


 Além de problematizar veementemente os relacionamentos contemporâneos, o filme demonstra ser um ensaio sobre a realidade. O esquecimento destrói fatos?  A memória define o que existe ou não? Até onde percebemos a realidade?

 Esse amálgama de pensamentos e sentimentos, que é a obra de Charlie Kaufman, é um bálsamo para qualquer sonhador que reconhece que razão e emoção se interpenetram transcendendo o próprio existir...





P.S.: Obrigado, Gabriele!

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