sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Como Chico e Patch me apresentaram Neruda

 Ouvindo um dos diamantes de Chico dois anos atrás, Trocando em Miúdos (que agora ouço para relembrar o momento), fiquei intrigado com a seguinte frase: "Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.".

"O que ou quem é Neruda?" Com uma certa vergonha por desconhecer o significado dessa parte da música de Chico (impossível conhecer o significado de todas as músicas de Chico, Caetano, Djavan, Gil), busquei silenciosamente no Google. Fiquei estupefato. 
A poesia de Neruda é ímpar, ele goza do néctar dos deuses-poetas.

Meses depois, assisti ao filme "Patch Adams - O Amor é Contagioso" (que de Patch Adams tem pouco...futuramente, falarei do verdadeiro Patch), que me fez transcender a mim mesmo e ver a vida de uma forma diferente. Nesse filme, Patch (interpretado por Robin Williams. Salve! Salve!) declama um poema para a sua amada:

A DANÇA - SONETO XVII

"Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."


 As profundidade e sensibilidade do poema me fizeram procurá-lo no Google. Quando pesquisei, vi de quem é a autoria: Neruda, Pablo Neruda.

...

Um pouco de Patch:




Permita-se!

Um comentário:

  1. Renato, gosto da maneira que vc expressa em palavras suas descobertas. Já vi muitas dicas de outros escritores e poetas sobre Neruda, mas nunca prestei a devida atenção. Há pouco, um amigo leu um livro dele e mais uma vez me estimulou a conhecê-lo melhor. E agora vc. Vou ler mais coisas, depois falo mais também sobre as minhas descobertas.Gostei do seu blog.

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