sábado, 4 de janeiro de 2014

O Amálgama Adélia

 Quando penso em poesia, um dos primeiros nomes que me vêm à mente é Adélia Prado. Essa poetisa consegue expressar toda a monstruosidade e delicadeza da poesia. Veleja entre o sagrado e o profano como poucos sequer cogitaram se aventurar. Uma das características de seu pensamento que mais admiro é a sua capacidade de criar amálgamas de cores e palavras. Já postei outro poema dela que reflete essa característica de forma maestral (Amor violeta). Agora, planto no meu recanto mais um dos poemas belíssimos dela.


IMPRESSIONISTA

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

( Adélia Prado, do livro Bagagem)









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