sexta-feira, 11 de abril de 2014

O Último Voo do Flamingo

 Demorei, mas voltei. Voltei porque é chegada a hora.
 Recentemente, terminei uma das leituras mais prazerosas que já tive: O Último Voo do Flamingo, de Mia Couto. Esse não é um daqueles livros que atraem por serem cheios de suspense, ação, imagens, conflitos. Esse é um livro simples, que aborda muito da tradição popular de uma Moçambique (o autor é moçambicano) que sofre nas mãos de um grupo de opressores. O mais marcante na obra de Mia Couto é que, mesmo retratando a realidade (vivemos ainda com resquícios do formato colonizador/colonizado que foram adaptados a nossa atual estrutura social) e apontando para as injustiças do status quo, ele consegue nos incitar a Esperança, pois os flamingos, essas aves que trazem as graças divinas, podem não estar vindo agora, mas chegarão algum dia. Enquanto isso, podemos esperar e lutar por uma outra realidade. Ele me trouxe, em um de seus discursos, uma mensagem muito importante: a de que os escritores têm um dever para com a sociedade e esse dever é o de lutar, mesmo que por via da escrita, pela sua melhoria, pela justiça. É o que me anima e me inspira.

Em poucas palavras, como um de seus personagens, Mia conseguiu definir a sociedade atual, a geração Facebook:


"Somos madeira que apanhou chuva. Agora não acendemos nem damos sombra. Temos que secar à luz de um sol que ainda não há. Esse sol só pode nascer dentro de nós."

(O Último Voo do Flamingo)








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