quarta-feira, 16 de abril de 2014

Procrastinando...

 Em tempos de férias, todo o Universo começa a funcionar mais devagar. Após ler Rubem Alves numa crônica sobre a beleza do "fazer nada" e conversar com pessoas sobre como estão aproveitando as "férias", notei que muitas veem na falta de ligações com o ritmo metálico incessante da "sociedade" que construímos como algo ruim. Penso o contrário, quanto menos ligação com certas coisas que não nos trazem prazer, melhor. Claro que o trabalho é essencial na vida do homem e ele deve se portar de certa forma frente a sociedade, mas o resto (90%) só é enfeite para dificultar o cotidiano. Enfeite construído pela ganância humana. Já dizia a célebre e sábia música de "Mogli - O Menino Lobo":

"Necessário / Somente o necessário / O extraordinário é demais / Necessário / Somente o necessário / Por isso é que essa vida eu vivo em paz"


 Como estudante do "IFBA" e bolsista da Petrobras, já passei por poucas e boas com o pior lado da burocracia, que o nosso Governo sabe muito bem apresentar. Há inúmeras páginas no Facebook sobre o que estudantes, professores, bolsistas e orientadores passam nessa estrutura. É quase impossível sobreviver sem precisar utilizar o jeitinho brasileiro para consertar as coisas.
 Depois de ver algo indicado por uma amiga, Gabriele, que ironizava os motivos dos pintores para pintar, fiquei imaginando qual seria a verdadeira história de cada obra. E se Leonardo Da Vinci passou 5 anos sem inspiração ou mesmo sem vontade de pintar e curtindo a vida adoidado? O que ele colocaria no relatório?

Relatório - 1º Ano: Revisão bibliográfica.
Relatório - 2º Ano: Confabulação sobre revisão bibliográfica.
Relatório - 3º Ano: Confabulação sobre confabulação sobre revisão bibliográfica.
Relatório - 4º Ano: Confabulação sobre a aplicação da revisão bibliográfica no projeto
Relatório - Véspera: Ingestão excessiva de café e labor incessante sob a autossugestão mental "vai que dá".

Acha que foram 5 anos na pintura daquele retrato pequenino? Sabe de nada, inocente!

Shakespeare, retratado no filme "Shakespeare Apaixonado", sabia do que falo. O pensamento humano não pode ser coisificado e moldado. Precisamos de tempo, vivências mil para poder gerar bons frutos. Se não as temos, o stress enlouquecedor vem (para saber o que é stress enlouquecedor, vide "fechamento de unidade no IFBA") e a poesia é castrada. Citando outra obra-prima que supera muitos tratados filosóficos, Rei Leão:

"Hakuna Matata, viver sem problemas!"

Precisamos ter mais de Lennon e menos de McCartney na áurea. Por que caetanear o que há de bom? A arte da vida não pode ser mensurada, deixemos as estatísticas, estamos em férias! Que comece a zoeira!









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