terça-feira, 10 de junho de 2014

OM

"Solilóquio. À alvorada, murmurava palavras tonalmente agradáveis...solilóquio. Disse um velho sábio que as pessoas são universos particulares; este era o seu Universo. S-O-L-I-L-Ó-Q-U-I-O... passaram-se horas de degustação, tal qual um bom vinho seco. Tornada monótona a sequência, partia para a pronúncia das palavras comuns, vulgares. Mais um apóstata, subversivo. Mas transcendental. Um gourmet entre subalimentados. Silêncio. Súbito, pausa o tempo, o que lhe propicia o vislumbre do parto das palavras. Heresia...como se deixavam pronunciar tanto lixo sonoro? A harmonia por pouco não lhe escorreu pelos dedos...Intrépido. Estava decidido: Partiria as correntes do mais-do-mesmo. I-N-T-R-É-P-I-D-O... cada vez menos letras surgiam na mente. Amavam-no a tal ponto que reconheciam sua necessidade de transcendê-las. Silêncio. Ilumina-se o palco...OM..."

(Renato Lira)



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