terça-feira, 19 de agosto de 2014

Madeira do Rosarinho

 Nos últimos anos, começou a brotar a tal flor no asfalto que Drummond mencionou. Os jovens, bem como uma parcela "adulta" da sociedade, começaram a se mobilizar em busca de novos horizontes para a política brasileira. É feia, mas é uma flor. A população já estava cansada da contraposição maniqueísta PT vs PSDB (onde há a relativização do bem e do mal). Nesse ínterim, eis que surge uma possibilidade: a figura de Marina Silva.



  Desde a sua gênese, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima apresenta certa força que algumas vezes é vista como teimosia. Foi desenganada por médicos 4 vezes (perdi a conta das hepatites, leishmaniose, contaminação por mercúrio e malárias) e quase entrou no voo que vitimou Eduardo Campos. Se inseriu na Política ao lado de Chico Mendes, lutando por causas ambientais e, após a morte do líder, informalmente, assumiu a liderança local da mobilização. Foi vereadora do município de Rio Branco, Deputada Estadual do Acre e Senadora pelo Acre (a mais nova Senadora da história), todas as vezes sendo a figura mais votada. Também foi Ministra do Meio Ambiente durante certo período na gestão de Lula.
  Sua história rende vários causos. Ela era famosa por devolver as quantias adicionais do cargo de vereadora (auxílio moradia etc) e ir à praça para "solicitar" que os seus "colegas" fizessem o mesmo. Além disso, durante uma greve em uma empresa de transporte, quando o dono chamou a PM para garantir a volta dos ônibus às ruas, ela liderou os sindicalistas frente à força opressora. Reza a lenda que o diálogo se deu assim:

"Comandante da PM: Eu vou dar um passo e se algo acontecer a mim, a senhora será a culpada!

Marina Silva: Eu também darei um passo e se algo acontecer a mim, o senhor será o culpado!"

  Esse ciclo durou o tempo necessário para o dono da empresa se irritar e tentar tirar o ônibus a todo custo, quase atropelando os policiais militares. Nesse exato momento, a ferramenta dos opressores (PM) e os oprimidos (sindicalistas) se uniram pra combater um capitalista sob o comando da vereadora ambientalista Marina Silva. Além disso, ela ficou famosa por demorar muito para liberar licenças de construção das hidroelétricas no seu tempo de Ministra, tendo sérias "ingrisias" com a também Ministra  (e hoje Presidenta) Dilma Roussef. Reza a lenda que, após ouvir de Marina que para se liberar as licenças para construção, precisaria-se de um maior levantamento de informações sobre o impacto ambiental, Dilma arrematou: "É isso ou usarei carvão! O que prefere?"

 


 Todos esses causos foram potencializados nesse último mês, com a morte do candidato a Presidente (do qual Marina era candidata a Vice-Presidente)  Eduardo Campos. A junção dos dois tinha sido considerada uma jogada política de um nível que não víamos há tempos, chegando a ser chamada de "o casamento do ano". 
"Viúva" de Campos, que se tornou um mártir com a morte trágica, Marina passou a ter um caráter ainda mais messiânico. Com a elegância natural e habitual (que consiste em colares e pulseiras feitas por ela, além de cosméticos naturais porque ela é alérgica aos industriais), a sua postura sisuda, quase como uma caricatura, ela é a aposta dos jovens que querem uma mudança. Incorporando informalmente a música que, como um bom pernambucano, Campos tinha como representativa de si mesmo, Marina une a causa ambiental com a necessidade de uma mudança no modo de fazer Política. Me utilizando de Bethânia, é como se a mobilização atual dissesse: "Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga mas nenhuma espada corta!". Ou, na língua da minha terra:




 

Nenhum comentário:

Postar um comentário