sábado, 8 de novembro de 2014

ENEM de Todos os Amores

Enquanto esperava o Tempo, tempo, tempo, tempo do ENEM, escrevi algumas considerações:

"Naufragara em seu dilema: sentia-se mais um sedento à deriva no Atlântico. Nos (en)cantos do Amor, a sede é latente e toda água é salobra. Nada tão simples... sede antes, sede durante, sede depois de se ter bebido. Algo tão incontrolável quanto o desvario do viver, amar é abarcar em si todos os mares e perder-se na antropofagia da auto-anulação. Um nirvana singular (redundância?) representado na explosão de cores que segue o movimento antropofágico. Via a si mesmo como um atirador de facas amador seguido do seu quixotesco ajudante, o homem duplicado. A cada passo em falso, o atirador fincava-lhe uma adaga e seu coração inflava com a plasticidade que é particular dos corações. Engrandecer-se para ser mais atingível. As musas do espelho são todas belas. Repousam, ideais, e o observam com o olhar dos seres transcendentais. Não sentem nada. O desfalecer do poeta lhes é tão importante quanto o percurso da formiga em busca de seu formigueiro. Todo o sentido jaz na mente do humano, ou poeta. É ele o náufrago no esquecimento de si mesmo em busca do autoconhecimento...perder-se para encontrar-se. Os amores salobros que degustou já valeram a empreitada da Vida. Sonâmbulo, vacila nos passos acrobáticos em corda bamba e desbrava o Universo. Destrona reis, solapa ismos nos sedosos lençóis da letargia. Toda Roma leva a um caminho."

(Renato Lira)



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