sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Juiz não é Deus

  Ultimamente, o Brasil está produzindo notícias das mais aterradoras. Uma que muito me intrigou foi a de que uma agente de trânsito foi punida por ter parado um juiz numa blitz da Lei Seca e, após o mesmo declarar uma suposta transcendência a qualquer noção de lei, afirmar: Juiz não Deus. Segundo consta, ela responderá por abuso de poder. Onde chegamos?! "Quem guardará os guardiões?!"

  Essa noção culturalmente construída (e parcialmente amparada pela Lei) de que juízes, políticos, diplomatas, embaixadores estão acima das amarras constitucionais que aglutinam esse boneco social que é o Brasil é um dos paradigmas que precisamos expurgar para a construção de uma nova sociedade. Ninguém está acima da Lei. Observar que aqueles que deveriam defender a "ordem" no Brasil são os mesmos que se aproveitam das falhas do sistema para o engrandecimento próprio (ou falso engrandecimento, porque "o homem que se vende recebe sempre mais do que o que vale"), gera uma sensação de repulsa e desejo de mudança. Uma mudança que não se dá somente em urnas, uma vez que temos que escolher entre cartas marcadas de um só baralho. A mudança deve vir de todos os setores da sociedade...conselhos populares ajudam? Sim, e muito! (aplaudo de pé a Dilma, ou quem tiver pensado nisso, pela iniciativa) Mas não são a solução...são meros canais que poderão ser usados para a solução. Também não deve se pensar em qualquer mudança: atento para os seres acéfalos que estão clamando por uma "intervenção militar", ou seja, outra ditadura militar nas costas dos brasileiros. Pessoas assim vivem no tal presente contínuo sem vínculo com o passado que o Hobsbawm tanto apregoou. Não obstante, correndo o risco de ser julgado romântico/idealista, ainda acredito numa mudança social "para melhor". Um tipo de evolução. Para isso, será necessário que o país passe pela fase autofágica de que toda evolução/mudança/revolução necessita. Mas isso é uma velha história...como disse Belchior: 


"...ainda somos os mesmos...e vivemos! Ainda somos os mesmos...e vivemos como nossos pais..."



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