quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Dança

 Dança: uma das minhas mais fulgurantes paixões desde sempre, mesmo tendo sido iniciado nessa arte há pouco mais de um ano. Mas, mais do que aprender os primeiros passos e me desfazer do "eu" desajeitado e tímido-espalhafatoso (de perto ninguém é normal!), a iniciação à Dança me proporcionou um grande aprendizado em relação ao modus operandi da Vida.
 Em meio à música incidental, há o desenlace de guerras, aventuras e os mais incomensuráveis romances, e eis que surge o convite ao viver, ação rara em uma época de Lattes, trabalho, trânsito, Whatsapp, Facebook etc.
Com tanto para dizer, acabo me perdendo no turbilhão de memórias: os primeiros passos de Bolero poderiam ter como pano de fundo sentimental uma música de Chico, "Valsinha", além da "Quizas, Quizas, Quizas" de sempre.
Esta também é uma excelente opção:


Eu poderia, muito alegremente, ter a dança de salão como ponto principal da minha vida (obviamente, sentiria falta dos ares acadêmicos e das vaidades donas de monografias e teses, mas me acostumaria e não deixaria de ler meus livros.), mas, sendo ainda mero aprendiz, espero, apenas espero. Fiquei triste, lacônico, macambúzio quando soube que, logo quando eu precisaria me afastar, minha turma de dança começaria a aprender Tango!



Last, but not least, lembro-me muito bem que um poema de Neruda mencionado no belíssimo e hollywoodiano filme "Patch Adams" instigou uma parte do meu Ser de uma forma que ainda não sei descrever. Chama-se "A Dança".

"Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma. 

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores, 
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, 
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira, 

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

(NERUDA, P. Cem Sonetos de Amor. Porto Alegre: L&PM, 2006.)
P.S.: Coloquei o Gere, mas Al Pacino e Dustin Hoffman também me representam...

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Galos, Noites e Quintais

 Um velho latino-americano canta os amores por nocaute e inspira o fervilhar do caldeirão das emoções disfarçadas no intelecto. Nos últimos dias, tenho escutado e me debruçado na poética de Belchior, que renega os ídolos de uma classe média estagnada mas busca um tipo de saga quixotesca que preencha a Vida. "Mas o tempo é como o Rio..." e seguimos em nossas ruas: únicas paralelas. O urbano de Belchior é niilismo mas também o anseio por algo semelhante ao índio de Caetano, não apenas o puro relativismo dos humanos de Universidades. O próprio ato de tentar, a palo seco, desafiar os deuses, forja no imaginário um herói. Este rapaz deve escrever as páginas que lhe cabem da Divina Comédia Humana tentando não desapontar demasiadamente Dante e Belchior, mas também arriscando as velas do Mucuripe para além do Mar do efêmero, como nossos pais sonharam ainda infantes.

Winter Is Coming!

 Enfim, meados de Agosto, mês de grandes acontecimentos políticos e do aniversário do meu amigo Daniel. Findado o primeiro período na UFPE, resta-me o isolamento pra leitura e esporádicas saídas estratégicas na Ilha (não a de Santa Helena, embora meu id napoleônico continue o mesmo.). Também estou empenhando esse tempo no vislumbre da prazerosa série Game Of Thrones, que, já na segunda temporada, finca três pilares pitagóricos:

1 - Conhecimento é poder. Mas, acima de tudo, poder é poder. Não adianta conhecer os movimentos da Rainha, se as suas peças não estão no devido lugar.

2 - O medo é a força motriz da dança das cadeiras, da qual a maioria das pessoas participa. Quando se tem o trono, o medo de perdê-lo e do que os seus vassalos poderão fazer, quando não se têm o trono, o medo de transparecer o desejo de tê-lo e sofrer as consequências.

3 - Na dança das cadeiras, a maioria das pessoas são como as nuvens aparentam ser, mudando de forma ideológica com a necessidade. Nunca há só dois exércitos...há grupos dentro de grupos que, defendendo o Universal, ganham apoio para alcançar o poder e defender o seu particular bem.

  Três preceitos simples que estão presentes em qualquer conflito mensurável...algo me diz que gostarei da série...e da carreira.

Winter is coming!


terça-feira, 16 de junho de 2015

Love Is All You Need

12 de Junho de 2015: Dia Dos Namorados. Nesse ano, não foi mais uma daquelas datas mercadológicas que embalam os sonháticos do American Way Of Life, mas, a continuidade de um reencontro de um amor do passado que teve uma equivocada ruptura. É um tanto clichê mencionar Chico, mas aquela música não para de ecoar pela trilha da minha vida. O amor revisitado na gaveta se mostra de uma forma diferente, deliciosamente diferente. Recife é um Universo e as ondas da Praia de Boa Viagem não mais ribombam reivindicando a presença de La Belle de Jour. A pérola do BrMania voltou... e o entardecer na praia ontem fora algo que deveria ser retratado em "Before Sunset" ou num daqueles livros de Gabo. Mais que isso: As risadas conferindo o remake de Mad Max eram, no mínimo, estranhamente adoráveis e autênticas. As coisas se tornam um tanto menos complicadas quando se (re)encontra a mulher disposta a seguir o caminho da existência, ultrapassando as barreiras das divergências de personalidade e de vivência, e construir um lar em um todo abraçaço.




Buda Nagô

  Estava navegando pelo Facebook, o que agora raramente faço, quando me deparo com esta notícia da Folha de São Paulo: "Após sair de culto de candomblé, menina de 11 anos leva pedrada no Rio." É lamentável a existência dos resquícios medievais  de práticas em parte estimuladas por instituições religiosas, mas majoritariamente oriundas de uma estrutura social altamente eurocêntrica e antropologicamente evolucionista. Um Estado laico deveria punir rigidamente esse tipo de atitude que, de grão em grão, dissolve a frágil democracia brasileira da  qual fala-se tanto. Quantas dessas notícias passam despercebidas enquanto um evento como a "Parada Gay", que criticou alguns preceitos das religiões Cristãs, gera uma polêmica geral e acaba sendo a "exceção que se trata como regra"? Infelizmente, é um tanto esperada a atitude falaciosa brasileira quando há inúmeros estudos sociais sobre a corrupção nessa sociedade e a prática comum da mentira. Continuaremos importando cultura e apedrejando as faces culturais da formação da Nação...e isso é, repito, lamentável.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Aprendendo a Jogar

  A metamorfose Ensino Médio-Universidade, em minha vida, foi a ave divina trazendo as respostas após mais um Dilúvio. Falando do Amor romântico, Tim Maia mencionava que "construímos os nossos castelos", ilhas da fantasia onde tudo é belo. Mas olvidamos que erigimos esses monumentos de areia na época do Amor Líquido e da Modernidade Líquida do Zygmunt Bauman. 
  A observação da contingência da afetividade, ou seja, a maneira como a manifestação da mesma deve ser observada inserida nos seus devidos tempo e contexto, ou mesmo a impermanência das certezas humanas, são oportunidades ímpares de crescimento, com as quais as lentes que usamos para enxergar a realidade ficam um pouco menos turvas. 
  Imergir em um Mundo que tem como objeto de estudo as relações de poder não só me aproximou do fazer científico e do ambiente acadêmico, como, em apenas dois meses, me deu ferramentas mais adequadas para analisar momentos dos quais participei em que houve a necessidade desse saber para lidar com as formas diversas de relações de poder.
 

Paulo Afonso, cidade maravilhosa da qual nunca sairei afetivamente e na qual residem amigos, família e namorada, vive ainda o ambiente político de guerra de clãs, onde há a personificação do poder e a privatização das funções públicas, tanto na situação quanto na oposição. Lendo um artigo de um professor da UFPE, Michel Zaidan, em que o mesmo menciona que as Universidades, que deveriam trazer luz a esse fazer político, reforçam esse jogo desleal, lembrei que por onde andei, não foi diferente. Hoje, me sinto mais lúcido para escrever o que enxergo.

  Estar em meio às rinhas entre situação, oposição conservadora e oposição mais à esquerda (ambas centralizadoras e pragmáticas, no sentido de renunciar aos astros para resolver o agora da forma mais conveniente), lapida de uma forma inigualável a personalidade do indivíduo. Aprende-se a ter mais zelo com a ideologia e confiar menos no que é proferido e mais no que é feito. Nos últimos quatro anos, vi todo o meu empenho em transformar a realidade local e tornar aquela sociedade um tanto mais igualitária ir por água abaixo. Vi a castração da organização dos estudantes, dessa vez, não pela situação, mas pelos mestres. Não em momento de greve docente, nas quais os discentes são uma força considerável e os peões das peças brancas, mas em momento de necessidade de amparo pelos discentes. "Quem guardará os guardiões?".
  Sei que há esperança no movimento de resistência ainda existente de onde vim, e confio, a ponto de apostar as minhas fichas, no caminho que há de ser trilhado, tanto do lado de lá quanto do lado de cá. A vida é como um terminal. Nela, me sinto sempre na posição do personagem Viktor Navorski (Tom Hanks - The Terminal), que está sempre no interseção entre os lugares. Essas pessoas têm a oportunidade de apreender um pouco mais a diversidade e a pluralidade das ocasiões e dos momentos, repletos de conflitos ou mesmo harmônicos.

  Há ainda um ponto chave no Navorski (que venham as testemunhas de Darwin!): adaptabilidade. Reconheço a Modernidade Líquida e mantenho a solidez das minhas relações restantes, lamentando pela fusão de outras tantas. "Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais".


Welcome to the Political Science World!






P.S.: Mrs. Fraga > Catherine Zeta Jones.







domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dois Rios

"Somos a balada serena que embala o sono dos inocentes. Mas, sobretudo,  somos a pena que, ao bel prazer dos sete ventos, plana e ainda assim persiste. Insiste. Incide. Incidental tango argentino sobre o qual escrevo os deslizantes passos da minha vivência. Dura vida. Mil partituras, impossível homeostase, onde uma teia-leviatã de mil bailarinas pulsantes vibra o verbo inicial. Mil vibrações, mil faces de um mesmo herói desveladas em mil e uma noites. Mil tons entoando a Canção da América, em busca do acolhimento amigo em meio à travessia. Ser. Existir. A essência imanente, materializada. A obra-prima em construção espera séculos a fio pelo autor, olvidando a sua origem. Big-Bang mitológico...Universo. Elucubrações notívagas: Onde jazz o Amor…? Mares...marés que conduzem ao mesmo Oceano. As Romas e a estrada. A saga do Herói. Dois percursos: Navegar é preciso, será preciso viver? A noite morena e a alvura da Lua, dois mundos em contraposição celeste. Um grande Amor deve ser fatal, arrebata-a-dor, como um desejo distante e a alegria do encontro. A sua gestação pode levar décadas, 'milênios, milênios no ar', ou mesmo segundos, milésimos de segundos. A seta acerta o coração com a agudeza de um Stradivarius e retumba como os tambores de Angola. Substancial, biológico, mecânico? 'Somos muito mais que isso!' Somos o concerto do parlamento dos sábios, a Canção do Senhor em pura profusão caleidoscópica de átomos, olhos, estrelas, bocas, Estados, amores, ideais. Nada mais revolucionário na 'Era do Capital' do que amar incontrolavelmente, transcendendo os limiares e sublimando a Sombra que deglutiu narcisicamente Ícaro. Humano, demasiado humano. Como fim, há sempre a candura da síntese, Harmonia. Entre a caucasiana Lua e a Pantera Negra do anoitecer resvala uma leve brisa que a um só Norte conduz. Amo."

(Renato Lira)