domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dois Rios

"Somos a balada serena que embala o sono dos inocentes. Mas, sobretudo,  somos a pena que, ao bel prazer dos sete ventos, plana e ainda assim persiste. Insiste. Incide. Incidental tango argentino sobre o qual escrevo os deslizantes passos da minha vivência. Dura vida. Mil partituras, impossível homeostase, onde uma teia-leviatã de mil bailarinas pulsantes vibra o verbo inicial. Mil vibrações, mil faces de um mesmo herói desveladas em mil e uma noites. Mil tons entoando a Canção da América, em busca do acolhimento amigo em meio à travessia. Ser. Existir. A essência imanente, materializada. A obra-prima em construção espera séculos a fio pelo autor, olvidando a sua origem. Big-Bang mitológico...Universo. Elucubrações notívagas: Onde jazz o Amor…? Mares...marés que conduzem ao mesmo Oceano. As Romas e a estrada. A saga do Herói. Dois percursos: Navegar é preciso, será preciso viver? A noite morena e a alvura da Lua, dois mundos em contraposição celeste. Um grande Amor deve ser fatal, arrebata-a-dor, como um desejo distante e a alegria do encontro. A sua gestação pode levar décadas, 'milênios, milênios no ar', ou mesmo segundos, milésimos de segundos. A seta acerta o coração com a agudeza de um Stradivarius e retumba como os tambores de Angola. Substancial, biológico, mecânico? 'Somos muito mais que isso!' Somos o concerto do parlamento dos sábios, a Canção do Senhor em pura profusão caleidoscópica de átomos, olhos, estrelas, bocas, Estados, amores, ideais. Nada mais revolucionário na 'Era do Capital' do que amar incontrolavelmente, transcendendo os limiares e sublimando a Sombra que deglutiu narcisicamente Ícaro. Humano, demasiado humano. Como fim, há sempre a candura da síntese, Harmonia. Entre a caucasiana Lua e a Pantera Negra do anoitecer resvala uma leve brisa que a um só Norte conduz. Amo."

(Renato Lira)


Nenhum comentário:

Postar um comentário