quinta-feira, 30 de abril de 2015

Aprendendo a Jogar

  A metamorfose Ensino Médio-Universidade, em minha vida, foi a ave divina trazendo as respostas após mais um Dilúvio. Falando do Amor romântico, Tim Maia mencionava que "construímos os nossos castelos", ilhas da fantasia onde tudo é belo. Mas olvidamos que erigimos esses monumentos de areia na época do Amor Líquido e da Modernidade Líquida do Zygmunt Bauman. 
  A observação da contingência da afetividade, ou seja, a maneira como a manifestação da mesma deve ser observada inserida nos seus devidos tempo e contexto, ou mesmo a impermanência das certezas humanas, são oportunidades ímpares de crescimento, com as quais as lentes que usamos para enxergar a realidade ficam um pouco menos turvas. 
  Imergir em um Mundo que tem como objeto de estudo as relações de poder não só me aproximou do fazer científico e do ambiente acadêmico, como, em apenas dois meses, me deu ferramentas mais adequadas para analisar momentos dos quais participei em que houve a necessidade desse saber para lidar com as formas diversas de relações de poder.
 

Paulo Afonso, cidade maravilhosa da qual nunca sairei afetivamente e na qual residem amigos, família e namorada, vive ainda o ambiente político de guerra de clãs, onde há a personificação do poder e a privatização das funções públicas, tanto na situação quanto na oposição. Lendo um artigo de um professor da UFPE, Michel Zaidan, em que o mesmo menciona que as Universidades, que deveriam trazer luz a esse fazer político, reforçam esse jogo desleal, lembrei que por onde andei, não foi diferente. Hoje, me sinto mais lúcido para escrever o que enxergo.

  Estar em meio às rinhas entre situação, oposição conservadora e oposição mais à esquerda (ambas centralizadoras e pragmáticas, no sentido de renunciar aos astros para resolver o agora da forma mais conveniente), lapida de uma forma inigualável a personalidade do indivíduo. Aprende-se a ter mais zelo com a ideologia e confiar menos no que é proferido e mais no que é feito. Nos últimos quatro anos, vi todo o meu empenho em transformar a realidade local e tornar aquela sociedade um tanto mais igualitária ir por água abaixo. Vi a castração da organização dos estudantes, dessa vez, não pela situação, mas pelos mestres. Não em momento de greve docente, nas quais os discentes são uma força considerável e os peões das peças brancas, mas em momento de necessidade de amparo pelos discentes. "Quem guardará os guardiões?".
  Sei que há esperança no movimento de resistência ainda existente de onde vim, e confio, a ponto de apostar as minhas fichas, no caminho que há de ser trilhado, tanto do lado de lá quanto do lado de cá. A vida é como um terminal. Nela, me sinto sempre na posição do personagem Viktor Navorski (Tom Hanks - The Terminal), que está sempre no interseção entre os lugares. Essas pessoas têm a oportunidade de apreender um pouco mais a diversidade e a pluralidade das ocasiões e dos momentos, repletos de conflitos ou mesmo harmônicos.

  Há ainda um ponto chave no Navorski (que venham as testemunhas de Darwin!): adaptabilidade. Reconheço a Modernidade Líquida e mantenho a solidez das minhas relações restantes, lamentando pela fusão de outras tantas. "Minha dor é perceber que, apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais".


Welcome to the Political Science World!






P.S.: Mrs. Fraga > Catherine Zeta Jones.







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