terça-feira, 18 de agosto de 2015

Galos, Noites e Quintais

 Um velho latino-americano canta os amores por nocaute e inspira o fervilhar do caldeirão das emoções disfarçadas no intelecto. Nos últimos dias, tenho escutado e me debruçado na poética de Belchior, que renega os ídolos de uma classe média estagnada mas busca um tipo de saga quixotesca que preencha a Vida. "Mas o tempo é como o Rio..." e seguimos em nossas ruas: únicas paralelas. O urbano de Belchior é niilismo mas também o anseio por algo semelhante ao índio de Caetano, não apenas o puro relativismo dos humanos de Universidades. O próprio ato de tentar, a palo seco, desafiar os deuses, forja no imaginário um herói. Este rapaz deve escrever as páginas que lhe cabem da Divina Comédia Humana tentando não desapontar demasiadamente Dante e Belchior, mas também arriscando as velas do Mucuripe para além do Mar do efêmero, como nossos pais sonharam ainda infantes.

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